17.2.09

A Um Passo do Amor


Sendo verdade que existirão obras de mérito em todos os géneros cinematográficos (sim, em todos; o Garganta Funda tem uma trama fascinante e desempenhos meritórios, além da banda sonora memorável), alguns parecem mais propensos a parir monstruosidades do que outros. Se contarmos as fitas românticas asquerosas que foram produzidas ao longo dos últimos trinta anos, por exemplo, descobriremos que será precisa uma calculadora relativamente avançada para atingir o número final e também que um terço integrou Richard Gere ou Sandra Bullock no elenco. Mas isso é outra história. No entanto, o problema não está no género em si e um filme como A Um Passo do Amor prova-o sem deixar dúvidas. Dustin Hoffman é Harvey, músico frustrado e compositor de jingles comerciais que se desloca a Londres para o casamento da filha na sua qualidade de pai divorciado e ausente. Emma Thompson é Kate, que trabalha num aeroporto, importunando passageiros cansados com inquéritos a que ninguém quer responder e tentando expandir a sua vida social além das crises de hipocondria e paranóia da mãe. Depois vem o Cupido, dispara a sua setinha e as coisas seguem os trâmites habituais. Uma palavra ainda para o título português. Não será pedir muito que a adaptação do título seja entregue a alguém que tenha visto realmente o filme ou que, pelo menos, tenha uma ideia vaga acerca do enredo. Não digo que A Um Passo do Amor não seja um título bonito, mas, neste caso, é tão relevante como chamar-lhe: O Amor e Uma Manada de Gnus.

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Last Chance Harvey

De: Joel Hopkins

Com: Dustin Hoffman, Emma Thompson, Liane Balaban

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Ano: 2008

12.2.09

Quinta-feira 12

Compreendo a necessidade de manter a logística das estreias circunscrita ao mesmo dia, mas será possível que ninguém tenha achado boa ideia estrear em Portugal o remake de Sexta-Feira 13 amanhã em vez de hoje?

Trailer de Inglourious Basterds de Q. Tarantino



(saliva abundante...)

Um Dia de Cada Vez


E se a Floribella não fosse atrasada mental? Nunca saberemos. Há coisas que têm muita força. Mas, com um pouco de imaginação, poderemos conceber que seria parecida com Poppy, a irresistível protagonista de Um Dia de Cada Vez, senhora de um optimismo inabalável e que parece resistir com boa disposição de aço a situações e pequenas misérias quotidianas capazes de deprimir a maioria de nós. O último filme de Mike Leigh parte de uma história simples e alcança a grandeza pelo enorme desempenho de Sally Hawkins, premiada como melhor actriz num musical ou comédia nos Globos de Ouro e de fora das nomeações para os Óscares pela alergia costumeira da Academia aos papéis mais "ligeiros" (Robert Downey Jr. entre os nomeados de 2008 pelo papel em Tropic Thunder é uma das excepções que confirmam a regra). Secundário, mas não menos meritório é Eddie Marsan como Scott, problemático instrutor de condução de Poppy, carrancudo, paranóico, deprimido e um perfeito oposto da sua garrida instruenda. Porque se fala muito por aqui dos péssimos títulos nacionais de filmes estrangeiros e é preciso ser justo de vez em quando, destaque-se o excelente título português, fiel ao espírito do intraduzível título original.

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Happy-Go-Lucky

De: Mike Leigh

Com: Sally Hawkins, Eddie Marsan, Alexis Zegerman

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Ano: 2008

O Casamento de Rachel


Quem nunca se sentiu um completo anormal entre familiares num casamento que atire o primeiro croquete. No entanto, há quem tenha motivos maiores e menores para sentir essa anormalidade e Kym, protagonista de O Casamento de Rachel enquadrar-se-á na primeira categoria. O seu passado está manchado por uma tragédia provocada pela dependência de drogas que se esforça por superar e, apesar de a recuperação estar bem encaminhada, o peso das suas acções paira sobre ela como uma coisa desagradável flutuante (não, não consegui encontrar melhor metáfora). No regresso a casa para o casamento de Rachel, sua irmã (Rachel casa-se... peço desculpa por estragar a surpresa), o ambiente festivo poderá não resistir da melhor forma à bagagem emocional da ovelha negra da família. Anne Hathaway convence quem duvidava da sua versatilidade, interpretando um papel muito distante das princesinhas/queridinhas/sonsinhas do costume.

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Rachel Getting Married

De: Jonathan Demme

Com: Anne Hathaway, Rosemarie DeWitt, Bill Irwin

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Ano: 2008

O Leitor


Conferindo a lista de estreias recentes, perceber-se-á que o trauma preferido dos alemães inspirou um número considerável dos filmes produzidos no ano passado que nos vão chegando neste início de 2009. O Leitor é mais um exemplo, mas com uma nuance. Em vez de abordar os acontecimentos que motivaram o trauma, aborda-se o rescaldo, mais de uma década após 1945, quando se reconstruía o que fora arrasado e depois de aplicado castigo exemplar aos cabecilhas que se deixaram castigar. Restava a arraia-miúda, gente sem grandes responsabilidades, mas com consciências pesadas. É neste ambiente divertido que o jovem Michael se apaixona por Hanna, uma revisora de eléctrico mais velha que o ajuda a recuperar de uma crise de escarlatina. A frase anterior soa incrivelmente bizarra como tentativa de sinopse. As minhas desculpas. Digamos antes que O Leitor é um filme sobre as virtudes da alfabetização. Não andará muito longe da verdade. E que Kate Winslet merece ganhar mais um prémio. Também não.

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The Reader

De: Stephen Daldry

Com: Kate Winslet, Ralph Fiennes, David Kross

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Ano: 2008

9.2.09

Cate Blanchett aponta seta de Cupido a Robin Hood


O mais recente de uma série interminável de contratempos a afectar a produção de Nottingham de Ridley Scott parece estar a caminho de solução favorável, com a possibilidade de Cate Blanchett substituir Sienna Miller como Maid Marian. Pelo menos, é o que parece acreditar Mark Strong, actor inglês que interpretará Guy of Guisbourne (vimo-lo recentemente como Septimus em Stardust ou como Archie em RocknRolla), em declarações ao Daily Telegraph. Os dois papéis principais da mais recente adaptação cinematográfica do lendário salteador ficarão a cargo de Russell Crowe, que será ao mesmo tempo Robin Hood e o Xerife de Nottingham. Como consequência dos atrasos, a data de estreia permanece incerta.

Bafta confirmam tendências dos Globos de Ouro


Os galardões cinematográficos britânicos duplicaram quase na perfeição os resultados dos Globos de Ouro, com Slumdog Millionaire a sagrar-se o vencedor da noite com sete prémios (incluindo Melhor Filme, Melhor Realizador, Melhor Música, Melhor Som e Melhor Argumento Adaptado). The Curious Case of Benjamin Button ficou-se por três (Maquilhagem, Efeitos Visuais e Direcção Artística). Heath Ledger conseguiu mais um prémio póstumo para melhor actor secundário, Mickey Rourke foi o melhor actor e Kate Winslet foi a melhor actriz por The Reader (fora-o por Revolutionary Road nos Globos). O prémio para a melhor actriz secundária (entregue também a Winslet nos Globos por The Reader) foi para Penélope Cruz por Vicky Cristina Barcelona. A melhor longa-metragem de animação foi Wall-E mais uma vez. Agora, faltará saber se os Óscares seguirão também a tendência ou se a Academia fará a desfeita aos muitos fãs irredutíveis do filme de Danny Boyle.

8.2.09

Valquíria


Uma valquíria é uma beldade loura montada num cavalo voador que, na mitologia nórdica, sobrevoa em bando os campos de batalha e recolhe os espíritos dos mortos valorosos para os conduzir ao Valhalla, uma espécie de salão de convívio com cerveja à discrição. Isto pouco terá a ver com o novo filme de Bryan Singer, além de este retratar uma operação militar com o mesmo nome, mas sempre dá para encher umas linhas e o enchimento de chouriços é uma arte nobre e que urge cultivar. Esperavam-se algumas coisas de Valquíria. Esperava-se que Tom Cruise estivesse na curva ascendente do seu percurso irregular, em que tanto lhe pode dar para mostrar grande talento, como, logo a seguir, para conseguir fazer apenas de Tom Cruise, o maluquinho cientologista (possível pleonasmo) convicto de que lhe basta encher o ecrã com a sua presença considerável para ser aplaudido de pé. Esperava-se que o filme conseguisse fazer justiça a um punhado de ousados conspiradores que tentaram enviar o seu führer desta para melhor e, sobretudo, à figura principal, o carismático Conde Von Stauffenberg, interpretado por Cruise, homem que não hesitou em pôr as mãos no fogo para salvar o seu país, mesmo que só lhe restassem três dedos para queimar. De acordo com algumas cabeças opinantes, pedia-se ainda a Singer que provasse os seus méritos fora do universo dos super-heróis, talvez porque 1994 já lá vai há muito e um "filmezito" sobre as desventuras hipotéticas de um tal Keyser Söze tenha ficado esquecido. Esta última exigência, mesmo que disparatada, fica plenamente satisfeita. As duas anteriores também e, assim sendo, pouco mais se poderá exigir.

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Valkyrie

De: Bryan Singer

Com: Tom Cruise, Bill Nighy, Eddie Izzard

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Ano: 2008

6.2.09

Foi você que pediu um cartaz novo em folha com um puto de óculos?


O quê? O trailer também? Pronto, não se fala mais nisso. Aqui.

As últimas dos super-heróis são:


O papel de Mickey Rourke em Iron Man 2 não será Crimson Dynamo (blindado antagonista soviético do capitalismo), de acordo com o próprio Tony Stark (Robert Downey Jr.) em declarações à MTV. Martin Campbell (Casino Royale) está em negociações com a Warner Brothers para realizar a adaptação ao ecrã de Green Lantern, personagem emblemática da DC Comics (interessada em alargar além de Super-Homem e Batman o leque de filmes de grande impacto baseados em criações suas) e, de acordo com o Twitter do editor-chefe da Marvel, Joe Quesada terá ficado muito impressionado com a reunião em que discutiu a adaptação de Thor com o realizador britânico Kenneth Branagh, encarregue da empreitada (quem realiza Shakespeare, também realiza deuses do trovão).

5.2.09

O Complexo Baader Meinhof


As acções terroristas da Facção Exército Vermelho aterrorizaram a antiga RFA nos últimos anos da década de 70. O Complexo Baader Meinhof, transposição para o ecrã dessa existência tumultuosa, das origens ao declínio, peca por excesso de ambição. A história é demasiado substancial para a abordagem abrangente escolhida. Como resultado, raramente se nos apresenta algo que vá além de uma espécie de reconstrução documental de orçamento reforçado em que as personagens não escapam à superficialidade. Apenas três têm algo que se assemelhe a uma caracterização tridimensional. Há a terrorista intelectual, vagamente arrependida, a terrorista ligeiramente menos intelectual que compensa essa falha com empenho e convicção, e o terrorista que parece alinhar pelos tiros, explosões e pela oportunidade de gritar palavras de ordem. Há ainda, do outro lado da barricada, um director de polícia interpretado por Bruno Ganz, que pouco mais faz do que servir como separador entre cenas mais relevantes. Se o filme é demasiado curto e superficial para a história que pretende contar, as suas fraquezas tornam-no demasiado longo para suportar sem alguns slogans de solidariedade com o espectador oprimido. Resumindo, O Complexo Baader Meinhof torna-se, certamente contra a intenção dos seus autores (nota-se pela tentativa dificilmente contida de heroicizar os membros da FEV) pouco mais do que um Ocean's Eleven menos aventuroso e com activismo político à mistura. Também é verdade, no entanto, que mais filmes deveriam iniciar-se em praias nudistas. A comunidade naturista e as associações de mirones agradecem.

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Der Baader Meinhof Komplex

De: Uli Edel

Com: Martina Gedeck, Moritz Bleibtreu, Johanna Wokalek

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Ano: 2008

4.2.09

Jeff Bridges regressa ao computador em Tron 2.0


O protagonista de um dos filmes mais peculiares da década de 80 (e isso é dizer muito) regressará em Tron 2.0, vinte e seis anos após o original. De acordo com as últimas notícias, o programador Kevin Flynn, interpretado por Bridges, contracenará com Clu, o seu alter-ego computorizado e, como os programas informáticos não envelhecem (alguém diga isto ao Windows 3.1), o actor será rejuvenescido digitalmente, usando tecnologia que, ironicamente, faz parecer ridícula a informática vanguardista do Tron de 1982. Do elenco farão ainda parte Bruce Boxleitner, novamente como Tron e John Hurt.

Slumdog Millionaire


Danny Boyle conseguiu duplicar o que a maioria dos realizadores sonha conseguir uma única vez. Partindo de um romance de autor obscuro e reunindo um naipe de actores praticamente desconhecidos, consegue criar um filme inesquecível, daqueles que os espectadores procuram de cada vez que entram numa sala de cinema e que raramente conseguem encontrar. À semelhança de Trainspotting, o ponto de partida que acaba por nos conduzir a um final de sorriso amplo e olhos brilhantes não é o mais positivo. Em vez do submundo da droga de Edimburgo, viajamos desta vez pela pobreza mais degradante dos bairros pobres de Bombaim (ou Mumbai, se quisermos ser modernaços), que serve de abrigo às crianças sem eira nem beira que vão sobrevivendo como podem (os slumdogs). Jamal Malik é uma dessas crianças. Consegue chegar incólume à idade adulta e, inesperadamente, acaba por participar na versão indiana do concurso Quem Quer Ser Milionário (permanece por explicar a originalidade do autor do título português com a sua absurda referência a "bilionário", já que nem o título original nem o nome das variantes internacionais do concurso o justificam - o prémio final da versão indiana retratada no filme é de vinte milhões de rupias, o que não constitui um bilião) e conseguir um resultado ainda mais inesperado, levando em conta a ausência de instrução formal. Será esperar muito que a dupla de jovens actores principais, Dev Patel e Freida Pinto (Pinto? Estamos em todas!), alcance o sucesso internacional de Ewan McGregor ou Robert Carlyle, mas não será certamente por falta de talento. Quem deixar escapar esta pérola nas salas, ficará arrependido para o resto da vida. Depois não digam que ninguém vos avisou.

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Slumdog Millionaire

De: Danny Boyle (Loveleen Tandan, co-realizadora)

Com: Dev Patel, Freida Pinto, Anil Kapoor

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Ano: 2008

Dúvida


Olhando o registo de escândalos envolvendo membros do clero católico nas últimas décadas, será muito fácil partir da instituição para conceber histórias plenas de tragédia pessoal, apelando a doses generosas de indignação e solidariedade de um público ávido por dramalhões. Se a história incluir o infeliz lugar-comum de padres que abusam de crianças ou freiras despóticas, mais fácil se tornará. O realizador e dramaturgo John Patrick Shanley teve todos estes elementos ao seu dispor, baseando-se em experiências da própria infância como aluno de uma escola católica gerida por religiosas e decidiu fazer algo diferente e muito mais difícil, encaixando com mestria invejável todos estes elementos na adaptação cinematográfica da sua peça homónima, construindo uma história que não cede por um segundo que seja à tentação de apelar à lágrima ou ao ultraje de quem vê. Nos anos 60, no bairro nova-iorquino do Bronx, um sermão do padre Flynn sobre a relação entre dúvida e fé intriga a irmã Aloysius, severa directora da escola das Irmãs da Caridade de Nova Iorque, levando-a, possivelmente num excesso de zelo, a observar atentamente a forma como o sacerdote se relaciona com alguns dos alunos. A partir daqui, a tensão torna-se crescente no confronto entre o padre injustiçado e a freira maldosa ou entre o terrível pedófilo e a irmã justiceira, certo? Errado. A tensão está presente desde o início do filme, mas não há qualquer crescendo. Porque não se trata de um filme sobre confronto, mas sim, sobre algo que vem anunciado no cartaz em letras gordas. Enquanto nos esforçamos para perceber quem está certo e quem está errado, quem é o justo e quem é o injustiçado, o filme chega ao fim e a resposta, se a houver, poderá não corresponder exactamente às expectativas que não resistimos a criar.

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Doubt

De: John Patrick Shanley

Com: Meryl Streep, Philip Seymour Hoffman, Amy Adams

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Ano: 2008

Fotografias de Annie Leibovitz na Vanity Fair: Realizadores e suas estrelas


Mais aqui.

3.2.09

Elementar, meu caro Jude: Sherlock Holmes de Guy Ritchie


Da esquerda para a direita, Jude Law (Dr. Watson), Robert Downey Jr. (Sherlock Holmes) e Rachel McAdams (Irene Adler).

2.2.09

Bette Davis fala sobre beijos de ecrã

Scorsese remete Benicio Del Toro e Daniel Day-Lewis ao Silêncio


Os dois actores integrarão o elenco de Silence, adaptação do romance com o mesmo nome do japonês Shusaku Endo (sobre a perseguição japonesa aos cristãos no século XVII), que Martin Scorsese cozinha há muito tempo e que agora, finalmente, tem data de estreia agendada para 2010. Desconhecem-se ainda os papéis que cada um dos actores interpretará, mas não andarão longe dos dois protagonistas do livro, Sebastião Rodrigues e Cristóvão Ferreira, dois missionários jesuítas portugueses. Sim, portugueses. O que isso significará em sotaques fictícios vagamente espanhóis só Deus saberá. Gael García Bernal também foi associado ao projecto, mas sem confirmação.

1.2.09

O Rapaz do Pijama às Riscas


Ah a infância. Recordações ternas do lar familiar em ambiente bucólico, com prados floridos em redor. Brincadeiras com a irmã mais velha, os carinhos de uma mãe extremosa, a atenção regrada de um pai, demasiado ocupado a ganhar o sustento da família para excessos de folia. À noite, um jantar tradicional e, pela manhã, o patriarca sai para ordenar o extermínio de mais umas quantas centenas de judeus... Talvez não seja a recordação infantil mais comum, mas é assim a infância de Bruno, pequeno protagonista de O Rapaz do Pijama às Riscas, cuja família muda de ares quando o pai, oficial nazi, é encarregue de gerir um campo de concentração. Vendo-se sem os companheiros de brincadeira, o rapaz começa a explorar as imediações do novo lar e torna-se amigo de Shmuel, pequeno prisioneiro do campo, com quem conversa do seu lado da cerca de arame farpado. Apesar de alguns elementos narrativos de plausibilidade questionável (o facto de duas crianças poderem conviver livremente durante vários dias sem serem detectadas pelos guardas mais incompetentes na história do 3º Reich, por exemplo), o filme não envergonha ninguém, mesmo com uma tendência ligeira para o melodrama, vagamente justificável pelo tema.

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The Boy in the Striped Pyjamas

De: Mark Herman

Com: Asa Butterfield, Vera Farmiga, David Thewlis

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Ano: 2008

 

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